Em 25 de Dezembro de 1995 a Pixar revolucionou o conceito de animações infantis com Toy Story, que continha uma trama que agradou tanto os pequenos quanto os adultos. Não só por isso, lá surgiu a “base” de todos os filmes do estúdio que vemos até os dias de hoje, e até em outras produções de fora. Era uma ideia simples, porém revolucionaria.

Os roteiristas John Lasseter e Pete Docter abriram a mente e perguntaram ao público : o que os brinquedos fazem quando não há ninguém olhando ? E se eles tivessem vida própria, uma sociedade formada, tudo isso escondido de quem brinca com eles e os vê superficialmente.

Essa lógica de dar sentimentos à seres inanimados ou sem inteligência aparente também acontece em Procurando Nemo (e seu sucessor com Dory); Carros e Vida de Inseto. Uma fórmula de sucesso incrível e aparentemente fácil. Mas é aquela coisa, mesmo você tendo a receita da Coca-Cola, nunca vai ficar igual à Coca-Cola original.

Em 2016, a Illumination Entertainment Films (que tem como únicos produtos de sucesso no catálogo os filmes de Meu Malvado Favorito e o derivado Minions) lançou seu 6º longa animado, dirigido pela dupla Yarrow Cheney e Chris Renaud.

Pets : A vida secreta dos bichos chegou aos cinemas com a mesma proposta “inventada” pela Pixar 21 anos atrás (ok, eles não inventaram, mas foram pioneiros nisso). A ideia do longa é : o que acontece com os animais, não só de estimação, quando os humanos não estão por perto ? O que eles fazem ? Uma proposta interessante, mas a sua fórmula caseira da Coca-Cola nunca ficará igual – ou tão boa quanto – a original.

O grande problema do estúdio que ganhou milhões com os filmes dos Minions é o ritmo totalmente frenético, do começo ao fim. Alguns filmes de animação não sabem manter o critério e mesclar ação e drama, como muitos da DreamWorks, e agora a Illumination tomando o mesmo caminho.

Pets acompanha o cachorro Max, que vive sua vida normal  com sua dona num prédio onde todos os animais são amigos, frequentam a casa dos outros e até dão festas. Tudo está bem na vida de Max até que sua dona decidi levar mais um cachorro para morar com eles, o grandalhão Duke.

Você já deve ter visto isso antes em dezenas de filmes e já sabe o que vem à seguir. Max não aceita Duke, eles se envolvem em um problema e vão parar longe de casa, e nessa jornada de volta enfrentando várias advertências, os dois precisam se entender e trabalhar juntos para alcançar o objetivo de ambos.

O conceito do filme é até interessante (apesar de genérico), porém, os diretores e roteiristas não sabem lidar com poucos cenários. São muitos ambientes, muita coisa acontecendo, mudanças, correrias e perseguições toda hora que não dão chance do longa parar e respirar. Dos parques de Nova York à tubulações de esgoto e pontes famosas, assim o filme vai se deslocando sempre.

Esse é um grande problema, pois não se trata de uma série de TV, e sim de um filme onde é preciso contar uma história com começo, meio e fim e se aprofundar nos personagens e suas motivações. Mas se a todo momento a história se desloca, alguns acontecimentos vão ficando sem peso e logo se tornam esquecíveis, como toda hora que Duke abria a boca pra falar da sua vida e simplesmente não fazia diferença alguma no futuro da história, só para inventar uma desculpa e aproximá-lo de Max.

Os dubladores originais fazem um bom trabalho dando vida aos personagens, apesar destes não serem tão bons ou originais. O elenco brasileiro também não faz por menos, com nomes famosos como Danton Melo, Thiago Abravanel e Tatá Werneck.

O filme leva um humor rápido e que flui bem, mas diferente da Pixar ou várias outras desenvolvedoras de animação atualmente, a Illumination entrega apenas mais um filminho de verão, sem nenhuma grande mensagem ou reflexão no final. Só mais um passatempo que rende dinheiro aos cofres do estúdio e depois se torna esquecível ao público.