Desde que a Pixar foi adquirida e começou a dominar o mundo com suas inovadoras tramas e animações à frente do seu tempo, a própria Disney vem em marcha lenta, e com várias produções de baixo nível. O estúdio que no passado foi responsável por filmes que se tornariam clássicos, como Dumbo, Bambi e O Rei Leão, no século XXVI não foi muito impactante com suas animações, e teve como sucessos de crítica e público (apesar de nunca fazer números baixos na bilheteria) apenas o já longínquo Irmão Urso e o mais recente Frozen : Uma Aventura Congelante, em meio a filmes esquecíveis como Bolt : O Supercão e Enrolados.

E depois de uma história protagonizado por duas irmãs que mostravam um enorme poder feminino para as garotas mais jovens e o enorme sucesso feito nessa Aventura Congelante, seria uma tarefa difícil para a Disney alcançar o mesmo nível de euforia e febre com um longa de suas princesas. Eis que a fantástica dupla John Musker e Ron Clements, responsáveis por nada mais nada menos que A Pequena Sereia (1989), Alladin (1992) e Hércules (1997). Os dois roteiristas já provaram seus papéis criando clássicos para a Casa do Mickey, e esse é o momento certo para reativar a dupla dinâmica.

Moana : Um Mar de Aventuras surge com essa missão de novamente encantar os mais novos com princesas e histórias fantásticas, mais adaptadas para o modo de consumo e o modo de se ver o mundo no novo século. E desde o princípio o filme passa isso, e até repete algumas fórmulas usadas em Frozen, jogando no seguro para atrair aquela mesma galerinha que gostou da história de Elsa e Anna.

O filme acompanha Moana, uma garota que vive numa ilha da Polinésia junto com sua família e tribo, até que uma antiga lenda começa a se provar real e Moana parte aos mares à procura de Maui, um semi-deus que pode ajudar a salvar a ilha de tal lenda maldita.

De cara já se pode notar várias semelhanças com outros filmes do estúdio, além de Frozen, Zootopia também serve como base para a introdução dessa história. Os dois longas se iniciam com uma protagonista, em um mundo, ambiente, espaço diferente do tradicional; essas protagonistas são incentivadas pela família a não saírem de sua zona de conforto e aceitarem o seu modo de vida, apesar dessa não ser a vontade delas; e contrariando a vontade dos pais, elas partem rumo ao desconhecido e à maus bocados.

MOANA – ©2016 Disney. All Rights Reserved.

Aliás, Moana é um filme sobre família e amizade, e até semelhante à Rei Leão nessa parte. O pai dela é o líder de sua tribo, e em algum momento a filha terá que assumir seu posto. A relação dela com os parentes é muito forte e bem construído, com tempo suficiente para o espectador se apegar à eles. Nessa questão o roteiro lida muito bem, com um ritmo praticamente perfeito até chegar no fim do segundo ato para o terceiro, e em trechos do final, quando o filme vai ‘enrolando’ para chegar ao seu desfecho, e algumas ações desnecessárias que poderiam muito bem serem cortadas que não fariam falta alguma para a história.

Mas o ponto é que o desenvolvimento de personagens flui muito bem, e a própria Moana é uma das melhores (se não a melhor) protagonista feminina da Disney. Ela tem a receita padrão da maioria das outras princesas, fato, mas há um “Q” que a torna diferente, mais empática, mais leve. É uma personagem determinada e que possui muitas características que farão o público se apaixonar por ela.

O personagem de Dwayne “The Rock” Johnson, o semi-deus Maui, também é um trunfo enorme. Diferente de Moana, Maui é bem original, e diferente dos outros coadjuvantes vistos em filmes do mesmo gênero. Ele tem aspectos que deixam a história mais envolvente, como seus poderes de se transformar em animais e suas tatuagens, que interagem com si própria e com outros personagens em volta, e até mesmo ajudam a contar a história e quebrar o clima tenso.

Se tratando disso, os alívios cômicos estão sempre presentes e são muito bons e engraçados, pelo menos até a 10ª vez em que a mesma piada é repetida e forçada goela á baixo. O mesmo erro de todos os filmes com o selo de Walt Disney, sendo Marvel, Star Wars, ou Pixar.

É bem interessante ver uma história tão único como essa, tão diversificada, tendo uma protagonista que além de não ser branca e cheia de frescuras (olha só a Disney se modernizando), ainda vive em um lugar tão diversificado. A mitologia do filme é muito bem retratada, desde as lendas dos monstros até as reencarnações animais que os seres humanos podem sofrer.

Moana : Um mar de aventuras aprimora a fórmula de Frozen. As músicas também estão presentes e são tão boas quanto, com a música principal da personagem sendo MUITO mais viciante que ‘Let it Go’. Sim, isso é possível. Não só a música principal, mas também como as de outros personagens coadjuvantes que vão narrando trechos da história em forma musical, todas elas são muito bem encaixadas e muito bem sonorizadas e ‘chicletes’.

Apesar de diversos clichês e uma desaceleração do filme, o novo trabalho da Dupla Dinâmica é um dos melhores do estúdio até agora, e possivelmente a animação mais divertida e empolgante de 2016.

O filme estreou dia 26 de Novembro nos EUA, mas por algum motivo, só chegará às terras brasileiras no dia 5 de Janeiro. Graças à um convite da Disney, nós pudemos assistir o filme antecipadamente e essa crítica está sendo possível.