Sem dúvidas a vida é a maior questão com a qual o ser humano já se deparou. Como ela surgiu ? Quais os motivos de nossa estadia no Planeta Terra ? O que acontece quando ela acaba, e tudo o que resta de uma pessoa são memórias ?

Provavelmente essas perguntas nunca serão respondidas, o que torna a caminhada dos terráqueos ainda mais desesperadora e sem sentido. Com mais de 7 bilhões de seres humanos habitando o pequeno planeta azul, pessoas vêm e vão, sem serem lembradas por nada do que fizeram.

Mesmo que o Dr. Manhattan considere o homem mais inteligente da Terra tão inofensivo quanto o cupim mais inteligente, alguns entram para a história, atravessam séculos, e simbolizam o que há de melhor e pior nessa sociedade inteligente. Sejam eles líderes políticos, ditadores, artistas, esportistas ou até monstros assassinos; eles fizeram o suficiente para terem seus nomes lembrados mesmo após suas mortes, e alguns tão importante que são até citados em livros estudantis atualmente. Talvez essa fama nem tenha sido o objetivo principal destas pessoas, mas de qualquer forma, a conquistaram.

Tanto no livro de John Green, ou no filme dirigido por Josh Boone, A Culpa é das Estrelas retrata uma história mais triste e comum do que dois jovens se apaixonando. Augustus Waters, no filme interpretado pelo astro em ascensão Ansel Elgort, é apenas mais um no grupo de jovens com câncer, sem esperança ou um futuro muito longo.

Percebeu ? Apenas mais um. Só mais um número, uma estatística. Assim como 22 milhões de desempregados, dos quais ninguém sabe o nome ou sequer se importa, que serão esquecidos pelo tempo. É aí que Augustus começa a sua paranoia. Ele quer ser lembrado, quer fazer algo de importante que ficará eternizado. Isso de cara irrita a protagonista Hazel Grace, que vê no garoto um estilo marrento e um sonho praticamente impossível, tendo em vista as suas condições atuais.

Se você conhece a história, já sabe para onde ela partirá. Os dois adolescentes com câncer começam uma amizade que aos poucos se torna em uma paixão, viajam juntos, descobrem experiências novas juntos e Augustus começa a ‘desencanar’ da ideia de entrar para a história.

Essa não é o foco principal da trama criado por John Green, mas um dos fatores que a deixa interessante, o desenvolvimento de Augusutus e a percepção de que, sim, ele está sendo importante, mas não em níveis históricos. Ele está sendo importante para as pessoas que se importam com ele.

Talvez quando você, leitor, chegar à morte, não tenha o velório transmitido na TV ou o país inteiro chorando por sua falta, mas sim seus familiares, as pessoas que dão valor à você. Assim como o Sr. Waters, que parte sem nem mesmo mudar o eixo histórico, mas dando uma grande reviravolta na vida de quem sempre esteve por perto.

No fim, isso é o que importa.