Peter Pan é uma das obras que faz parte de toda a cultura da humanidade. Apesar do seu livro ter sido escrito em 1911, por James Matthew Barrie, até hoje temos no ar animações sobre a obra e relançamentos da história em diversos modos, desde uma repaginada do livro para o público infantil, até a recontação da história em áudio.

A primeira vez que as aventuras de Wendy e seus irmãos pela Terra do Nunca aparec74a385491b99a6653856550e9b4a0548eu nos cinemas foi em 1953, na clássica animação da Disney que fez o mundo conhecer esses personagens. Mas foi só em 2003 que uma versão live-action surgiu, e que versão, diga-se de passagem.

Um filme em respeito à obra original, muito bem produzido e divertido de se assistir. Eis que chegamos à 2015, em plena era dos reboots, refilmagens, adaptações e uma falta de criatividade imensa na indústria áudio-visual.

Caiu nas mãos de Joe Wright, que já tinha dirigido os ótimos Anna Karenina e Desejo e Reparação, o dever de contar a história de origem de Peter Pan. Deve-se dizer que era uma proposta bem diferente do que o diretor já estava acostumado a fazer, e Joe precisou dar uma salto imenso dos filmes pequenos para os grandes blockbusters. Ele topou o desafio e o resultado foi surpreendente.

Como toda boa origem de herói, essa começa com um menino órfão. Peter Pan vive num orfanato em Londres, em plena Segunda Guerra Mundial, sobre os maus tratos das freiras que lá vivem. Até que Peter e seu melhor amigo descobrem um tráfico de crianças, para piratas de uma terra desconhecida. Tudo soava estranho, até o próprio Peter ser levado para essa terra.

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Se alguém (acho que todo mundo) estranhou a escolha de Joe Wright para a direção, ele nos entregou um filme de encher os olhos. Nada dessas tramas sombrias e tristes, como é moda atualmente (principalmente nas histórias de origem), o diretor nos dá um filme sobre Peter Pan e a Terra do Nunca que toda fã de Peter Pan e da Terra do Nunca sempre quis.

Joe Wright e Levi Miller nos sets (verdadeiros) do filme
Joe Wright e Levi Miller nos sets (verdadeiros) do filme

Se no longa de 2003 não era possível ir muito longe nos efeitos especias, afinal, eles ainda estavam surgindo; aqui nós vemos um design de produção que usa e abusa do chroma key e CGI, apresentando todas as loucuras possíveis com a tecnologia.

É difícil manter a qualidade dos efeitos quando você precisa usá-los praticamente durante todo o filme (como em Mogli : O Menino Lobo), mas o que se vê aqui é uma consistência absurda nisso. Além dos efeitos manterem a mesma qualidade, a própria trama mantém um ritmo incansável. Diferente de outros filmes que vimos nesse ano, Pan não desacelera brutalmente, as coisas acontecem tão perfeitamente que o espectador mal consegue perceber a mudança de tom, que é quase algo natural.

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Esse sem dúvidas é um dos filmes mais autorais dos últimos anos, e isso é notável. Por mais que seja um blockbuster comercial, o diretor solta a criatividade e expõe todo seu talento em tela, como se fosse um grande portfólio. É impressionante ver as camadas que o filme possui, tratamento de cores e como elas conversam com as cenas. No começo no meio da Guerra, é usado um filtro cinza pra deixar tudo mais triste, assim como na mineração, que vemos um laranja bem forte.

Mas depois que a aventura parte para as florestas da Terra do Nunca, é um colorido que toma conta da tela.

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Apesar de ser uma história de origem que se encaixa perfeitamente com a trama principal futura, o roteiro de Pan é bem fraco. Fraco mesmo. Uma história clichê, furos pra lá e cá, além de ser totalmente previsível. A previsibilidade não é uma vez ou outra, é o filme inteiro, que você consegue descobrir o que virá a seguir por que tudo leva a acreditar que será desse jeito. Sem falar no vilão Barba Negra, que tem uma das motivações mais fracas e clichês da história.

Aliás, Barba Negra é muito bem interpretado por Hugh Jackman, que realmente encarna o personagem. Desde o sotaque, ao modo de gesticular, fora a caracterização fenomenal. Destaque também para o jovem Levi Miller, que passa credibilidade e tem muito potencial pela frente. Só espero que ele não se torne uma das várias crianças que fez sucesso na infância e depois sumiu da mídia.

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A relação de Peter com o futuro Capitão Gancho é muito boa, dá um clima de nostalgia e deixa com vontade de ver mais. Sininho também está aqui, mas como um easter-egg, e não tem muita influência ou tempo de tela.

No final, Peter Pan é um ótimo filme em questões de produção e detalhes. Desde a direção, até a escolha das cores, roupas e o uso da computação gráfico, tudo feito com muito capricho. Suponha-se que serão feitos mais dois filmes pra completar a saga, sem ainda saber se ainda se passarão no passado as aventuras, ou se já veremos Wendy e todo o pessoal conhecido. O fato é que será muito interessante ver mais filmes nessa mesma dinâmica.