Mad Max : Estrada da Fúria estreou em Maio do ano passado, e não foi muito bem das pernas em questão financeira. O diretor George Miller queria inovar (e o fez), mas como tudo que precisa ser feito em nosso mundo, é preciso dinheiro. Nesse caso, muito. Mais precisamente $150,000,000. Uma aposta ousada, já que a saga que começou nos anos 70 não falava direito se voltaria como reboot, remake ou continuação. E até hoje, depois de seu lançamento, ainda há uma certa dúvida.

Apesar de ter quase alcançado a nota máxima da crítica e ganhado vários prêmios, incluindo 6 Oscars, existe algo misterioso que afastou o público das salas de cinema. O filme fez algo acima de $300 Milhões de bilheteria, o que, convenhamos, apesar de ser uma boa renda, não é suficiente (ou digno) de um filme desse porte. Ok, conseguiu se pagar e ainda sobrou uma graninha, mas… e as sequências ?

Apesar de se arrastar em bilheteria, pelo menos mais dois filmes já foram encomendados à Village Road Show, e a saga de Max deve perpetuar por mais um bom tempo nos cinemas.

O que fez esse filme dar certo foi a insistência de George Miller. Seria muito mais fácil (e barato), ter feito tudo em efeitos especiais, dentro de uma sala de edição e na frente de um pano verde. Mas, se esse fosse o caso, seria apenas mais um filme genérico de ação com carros, como todos Velozes e Furiosos. Qual diretor atualmente teria coragem de ir para um deserto na Austrália para gravar um filme, sem ter uma data certa para voltar ? E se precisassem de refilmagens ? Todo o elenco teria que voltar para o deserto.

Explosões, capotagens, tudo real. Até mesmo a cena da guitarra, uma das mais insanas já vistas na sétima arte. O cansaço foi imenso.

Mad Max antes dos efeitos especiais continua tendo uma das melhores ações da história do cinema.

Uma parcela de público e outra menor ainda de crítica, reclamou que o filme não possuía história. De fato, não há diálogos complexos, mas tudo se explica nas imagens e até mesmo nas pequenas conversas. Você não precisa de uma enorme explicação para entender que deu uma merda na Terra, a água virou um produto raro, e o ditador Imortan Joe a controla e distribui raramente para o povo. Os garotos de guerra, os filhos de Imortan e os serviços da Imperatriz Furiosa são muito bem esclarecidos, sem precisarem fazer rodeios.

Até mesmo o trauma de Max com sua filha, algo estabelecido nos filmes antigos da saga, é bem resolvido e de simples entendimento ao novo espectador, e essa é uma das belezas do filme : você pode estar embarcando agora nesse mundo pós-apocalíptico, ou ser um viajante de longa data, mas a emoção e intensidade são as mesmas.

maxresdefault-8

2016 está sendo um ano fraco de filmes, e tivemos que conviver com produções superestimadas que prometeram demais, e acabaram não entregando nada. Isso reflete a ausência de diretores corajosos em Hollywood, que visam acima de tudo a arte, e não o dinheiro. O dinheiro faz parte, e nessa indústria é essencial, e muito provavelmente é o fator que está barrando que a criatividade de diretores geniais chegue até nós, o grande público.

Que venham mais Mad Max, e que George Miller possa inspirar uma geração de criadores. Torcemos.