Não é dúvida pra ninguém que a parceria entre Marvel e Netflix foi um sucesso. Demolidor teve uma excelente primeira temporada e perdeu um pouco de ritmo na segunda, e Jessica Jones ainda precisa provar seu valor. Eis que chega ao serviço de streaming a terceira parte desse quebra-cabeça de heróis urbanos que culminara na série dos Defensores.

Luke Cage adapta as histórias do personagem criado por Archie Goodwin e George Tuska, que foi feita especialmente para mostrar um lado diferente do universo Marvel, e chega com esse mesmo objetivo à série de TV.

Até agora, só tivemos filmes e histórias contadas por brancos na Marvel, e a empresa que quer ser diversificada em todas as áreas, já estava demorando para abordar o outro lado, além de homens brancos, de meia idade, ricos e inteligentes. Apesar disso, o padrão já está prestes a mudar e até ser destruído, com filmes do Pantera Negra e Capitã Marvel agendados.

A série adaptada por Cheo Hodari Coker representa bem os bairros negros de Nova York, dando ênfase ao Harlem, onde vive nosso protagonista. As músicas são muito bem escolhidas e perfeitamente encaixadas, e apesar de uma trama mais sangrenta com o antagonista e dramas sexuais, o clima nas ruas do seriado é leve e até amigável, e um grande exemplo disso é a barbearia do Pop.

A primeira cena da série se passa lá, e se trata de um diálogo muito bem elaborado e ensaiado, que flui perfeitamente entre os atores (apesar de uma atuação mais dura de Mike Colter no começo).

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Luke Cage é uma série que não tem medo de mostrar o que precisa. Referências a Notorious Big e outros rappers, discussões de jogos de basquete, ideologias de Malcom X e a trilha dos bares e clubes. Até a figuração e ambientação é muito característica.  A cultura negra é questão de orgulho, e finalmente isso está sendo abordado num lugar tão influente como a Marvel.

Apesar de tudo, não volta a ser surpresa diversos problemas nas produções da Netflix. Como já aconteceu em Jessica Jones, aqui nós vemos uma ação bastante parada e mal coreografada, que não passa nenhum realismo (ignorando o fato do protagonista ter a pele impenetrável).

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Luke Cage tem todo potencial para emplacar de vez : personagens secundários importantes e carismáticos; um interesse amoroso sensual e que pesa para o protagonista; o próprio protagonista sendo um homem que passa confiança e impõe respeito; mas mesmo assim parece que falta algo.

Talvez seja o mesmo problema da segunda temporada de Demolidor, de se preparara demais para algo grande, e criar tensão e no final nada muito espetacular acontecer.

Como fã de quadrinhos, a série agrada bastante, com referências e uma história que lembra a da saga NOIR publicada pela Marvel.

Resta esperar e ver qual será o destino desse personagem, se participará de alguma série de outro herói (temos Punhos de Ferro em breve) ou só o veremos novamente em Os Defensores.