Ben-Hur, finalmente um filme que se passa nesta época é “assistível”, e bem melhor comparado aos recentes lançamentos e refilmagens do gênero.

O filme dirigido por Timur Bekmambetov, conta a historia de um clássico best seller da época, o livro Ben-Hur: A Tale of the Christ. A historia se passa no tempo de cristo em Jerusalém e conta o relacionamento entre dois irmãos Juda Ben-Hur (Jack Huston) e Messala (Toby Kebbel), mas como a historia é recheada de reviravoltas esse relacionamento se perde quando Ben-Hur vê divido entre seu povo e seu irmão.

Os 10 primeiros minutos são eficientes e passam uma emoção típica do diretor, o entrosamento de Ben-Hur e Messala é perfeito, e realmente parece que eles são irmãos, e não fica forçado nem caricato ou teatral.

As cenas de ação são bastante ágeis, no primeiro e terceiro ato elas são muito boas, porem na hora do corpo a corpo o diretor utiliza muita, muita mas muita câmera tremida e pra mim isso não agradou.

O CGI é deplorável, no primeiro e segundo ato é nítido o uso de CGI, principalmente nas cenas em que o diretor precisa de uma imagem maior com cenários com um ângulo diferente, porem no ato final isso muda e você já vê um melhora significativa no CGI.

A escolha dos atores foi ótima, cada um da o seu melhor e isso é notável, Jack Huston é razoável, não passa firmeza em algumas cenas mais em outras é convincente, parece que ele ainda não se encontrou no papel e esta bem dividido. Rodrigo Santoro surpreende, faz um Jesus totalmente diferente já apresentado nas telas, mais humano e sua performance tanto psicológica e física demonstra o grande ator por trás do personagem. Morgan Freeman é mais do mesmo, não tem nada de inovador nem apresenta seu melhor papel, e me parece que esta em total desinteresse, e de todos o que mais se destaca é o Toby Kebbel demonstra o qual bom ator ele é, suas expressões passam firmeza e imponência e rouba a cena milhares de vezes.

Mas qual é o grande erro desse filme? Ele realmente é bom em vários aspectos, mas o problema principal é o tom do filme, digamos que existem dois filmes em um, o primeiro seria a trajetória de Ben-Hur que é cheia de vingança ódio e rancor, a segunda seria a trajetória de Jesus que demonstra o perdão o poder e sua compaixão pelo próximo, os dois funcionam muito bem, porem eles não se encaixam e você vê nitidamente a mudança no tom, mostrando a total incompetência do roteirista e do diretor de fazer um filme funcional com os dois personagens, pois dizer que isso foi apenas um deslize é difícil.

Levando em conta que isso é uma adaptação o diretor é bastante eficiente, mesmo com o seu erro no tom, erro nas cenas de luta, erro no CGI, o filme ainda tem seus elementos que deram certo, e o melhor de tudo ele me surpreendeu.