De uns anos pra cá, a Disney percebeu que não era tão necessário usar princesas para demonstrar o poder feminino. O último que usou mais ou menos essa dinâmica de princesas lindas, bem vestidas e encantadas foi Frozen, mas de uma maneira menos convencional.

Zootopia traz ao público a coelha Judy Hopps, que mesmo sofrendo bullying desde infância por ser apenas ela, tem um objetivo em mente, e não desiste dele : se tornar policial na grande cidade que leva o título do filme, onde presas e predadores convivem em perfeita harmonia.

Uma observação muito interessante é o que filme não tem medo ou vergonha de jogar na cara de espectador diversas críticas sociais. Quando os pais de Judy dizem à ela, ainda na infância, para desistir de seus sonhos para no futuro não se frustar, é nada mais do que a realidade que acontece frequentemente com a maioria das pessoas : elaborar algo, sonhar, desejar, não alcançar e acabar se entristecendo.

Em uma cena onde Judy visita um clube de nudismo animal e se espanta com os usuários, seu anfitrião diz à ela uma frase que, além de engraçada naquele contexto, diz a realidade : ”Estranho mesmo é animal com roupa. ”

Zootopia é uma enorme metáfora da sociedade, e usa de formas engraçadas para mostrar a ação de um trapaceiro muito planejador, ou o poder que um prefeito tem : nesse caso, o rei da selva, Léo o Leão.

Novamente a Disney dá um show à parte com uma animação muito bem trabalhada, e um roteiro simples de entender – com menos de 20 minutos, tudo já está estabelecido no filme.

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Não importa a idade, o estúdio do Mickey sempre sabe como agradar o espectador : a criançada se diverte com as trapalhadas e animais fofinhos, e os mais velhos captam as metáforas e até dão uma de Capitão América quando é necessário entender uma referência.

Apesar das ótimas reflexões que o filme apresenta, o roteiro varia entre respostas óbvias reviravoltas cansativas. A cada arco há um plot de revelação que vai se arrastando, como se os produtores tivessem a necessidade de surpreender o público a cada 25 minutos.

Os personagens principais são bem trabalhados e passam por boas mudanças ao longo da trama, aumentando o interesse por eles.

Em um mundo cheio de adaptações, sequências, remakes e reboots, a Disney é uma das poucas fornecedoras de conteúdo original, e nunca desaponta quando toma novas decisões.